
Artigo de Miguel Boim na revista Psicologia Actual #13 sobre a Massagem
Anti-Stress, Terapias e Terapeutas (13 de Março de 2007)
(parte integrante do conjunto de artigos sobre
massagem, da MM-Massagem®)
Conquanto se possa dizer que vivemos no mundo ocidental, em ritmos e
rotinas inapropriados para o ser humano, procurar o bem estar em bens
materiais ou aguardar a solução de todos os problemas em apenas uma
resposta, não chega.
Com o constante avanço da tecnologia a cada minuto que passa, e embora
se possa dizer que contribuí de maneira inexorável para o bem estar
geral que engloba o suprir de necessidades básicas ou da mais variada
ordem em toda a sociedade, vamo-nos desumanizando cada vez mais.
Todos os pequenos espaços ainda não invadidos pela “civilização
tecnológica” vão sendo preenchidas por corrente eléctrica, vibrações
sonoras, imagens de caracteres pretos num ecrã que nos traz um e-mail ou
uma mensagem de telemóvel de um amigo. É bom sentir que toda esta
tecnologia nos aproxima de quem mais longe está...mas é
proporcionalmente mau que nos afaste de quem está próximo.
Como ocidentais que somos (ou pelo menos num mundo ocidental vivemos)
perdemo-nos por entre estímulos mirabolantes, e, salvo raras excepções
impostas por condutas pré-estabelecidas em que apenas o amor (pela
família ou pela pessoa amada) intervém, esquecemos algo tão importante
do contacto humano, como o é o toque.
O toque humano (no seu sentido mais literal) é um dos aspectos mais
importantes da vida, que nos faz sentir mais ligados aos outros, ao
mundo, e mais importante ainda, a nós próprios. Até podemos tomar como
exemplo a forma como cumprimentamos alguém, o aperto de mão, o beijo na
face, o calor humano que nos é transmitido através de um cumprimento, é
revelador daquilo que somos para alguém, ou de maneira mais
generalizada, daquilo que somos ou representamos para os outros. Tão
importante que é, mas tão negligenciado ou desaproveitado por entre
solidão, terapias que são apresentadas fraccionadamente e sem o
fundamento intrínseco das culturas de origem, apresentando-se assim
apenas como miragens de um oásis de bem estar num mundo cada vez mais
desertificado de toque humano.
Tendo esta consciência acerca de um dos principais pontos para
desacelerar uma desumanização evidente, a massagem anti-stress tem como
base a massagem sueca e procura não se limitar às suas origens,
procurando “beber” conhecimento de outras fontes, outras formas de ver e
viver o mundo.
“Terapeuta”, do grego therapeutés, o que cuida, que trata, que cura
doentes, é aqui substituído por “Técnico” também do grego tekhnikós,
relativo à arte, à ciência ou ao saber, ao conhecimento ou à prática de
uma profissão, quase como um artesão. Para esta substituição, é
necessário compreender que com a mesma flexibilidade que se vai procurar
conhecimento a outras fontes para uma visão teórica eclética, a sua
prática é ela também flexível ao fazer com que o técnico de massagem
anti-stress seja um exímio conhecedor das suas ferramentas, bem como a
aplicabilidade das mesmas. Tal como o artesão necessita ter um
conhecimento teórico e empírico de como trabalhar determinado material,
utilizando uma ferramenta específica da maneira que achar mais
conducente ao seu fim, o técnico de massagem necessita ter esse mesmo
tipo de conhecimento empírico em relação às suas ferramentas, tão únicas
que são, e tão só designadas a ele próprio no momento em que nasceu: as
suas mãos.
A noção das capacidades das mesmas aquando do uso de qualquer técnica,
aliada ao material a trabalhar (o corpo do cliente), faz com que seja
necessário ao técnico de massagem anti-stress ter tanto um conhecimento
teórico aprofundado, como um conhecimento empírico também ele
aprofundado.
Estes traços fundamentais da massagem anti-stress, bem como das
características necessárias aos seus técnicos, garantem aos clientes uma
energia revitalizadora sentida de imediato, e tão ou mais importante que
isso, é o facto de o cliente sentir nos dias seguintes uma energia e
vigor necessários para enfrentar o dia a dia com uma qualidade de vida
crescente.
O trabalhar músculos profundos ou superficiais, tendões, ligamentos,
articulações, incidindo esse trabalho sobre as zonas mais importantes ou
afectadas pelo stress, como a zona plantar dos pés, mão, pulso, dedos, a
zona lombar, a zona cervical, e a tão importante e tão raramente
trabalhada zona sub-occipital capaz de provocar em quem tem mais tensão
acumulada, um efeito de alívio que quase induz a um estado grogue, faz
com que a massagem anti-stress se vá tornando parte da rotina semanal de
cada vez mais pessoas.
Bem estar, maior produtividade no trabalho -como se pode verificar em
estudos realizados pelo Touch Research Institute- e uma vida emocional
mais sadia, é tudo o que se pode esperar da massagem anti-stress. Tudo
para que se viva num mundo adequado ao ritmo natural do ser humano.
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