
Artigo de Miguel Boim sobre a Síndrome de Méniere Vs a Massagem (10 de
Fevereiro de 2008)
(parte integrante do conjunto de artigos sobre
massagem, da MM-Massagem®)
Embora a causa da Síndrome de Ménière não seja conhecida, ou pelo menos
concreta, crê-se que o conjunto de sintomas experienciado pelas pessoas
a quem é diagnosticado esta síndrome, pode ter uma de duas origens.
A primeira refere que se dá uma hidropisia endolinfática, ou seja, uma
acumulação anormal de endolinfa, que é o líquido claro e albuminoso que
corre no labirinto membranoso do ouvido interno.
Isto quer portanto dizer que a endolinfa deixa de circular normalmente
nos seus canais do ouvido e fluí para uma(s) determinada(s) área(s),
provocando danos na área congestionada ou bloqueada. Este bloqueio
poderá ter a sua causa num estreitamento natural do ducto endolinfático,
tendo a sua origem na nascença, ou ainda devido a um bloqueio derivado a
uma má cicatrização dos tecidos. Também ainda nesta possibilidade,
existe a hipótese da Stria Vascularis segregar desreguladamente
potássio, um dos constituintes da endolinfa, elevando assim a quantidade
desta no Sistema Vestibular.
Como podemos deduzir, esta primeira origem terá como causa a pressão
exercida em alguma parte do Sistema Vestibular.
A segunda origem, embora com menos crédito entre investigadores (e
recorde-se que falamos de uma síndrome, que é um conjunto de sintomas, e
não de uma patologia específica), é alusiva à dilatação dos canais do
Labirinto Vestibular, levando a endolinfa a perder pressão e fazendo com
que exista um desfasamento entre estímulos e respostas. Contudo, a causa
dessa dilatação é desconhecida, aparentando ser apenas uma disfunção
vasomotora, isto devido à sua unilateralidade (ocorrência em apenas um
dos Sistemas Vestibulares) na maior parte dos casos.
Ambas estas possibilidades aparecem independentemente uma da outra,
tendo no entanto sempre o mesmo foco problemático, que baseado no
excesso ou défice de pressão endolinfáctica, afecta o funcionamento do
Sistema Vestibular, e logo, o equilíbrio de quem destas
disfuncionalidades padece.
A massagem é assim no caso desta síndrome desaconselhada devido a uma
série de variáveis que afectam pejorativamente os mecanismos que esta
síndrome afecta.
A pessoa estar deitada em marquesa durante um determinado tempo, ou
sentada em cadeira de massagem, com a cabeça num ângulo não comum ao
dia-a-dia, exerce influência no fluxo de fluídos, não só no corpo todo,
mas muito em especial na zona craniana.
A isto adiciona-se o facto de que a massagem, por muito leve que possa
ser realizada, faz com que exista sempre um aumento do fluxo de fluídos,
quer seja a nível sanguíneo, linfático ou intersticial, que
inevitávelmente de uma forma ou de outra, influenciarão o Sistema
Vestibular, e logo, os problemas afectos a este.
A realização de massagem em clientes que sejam portadores da Síndrome de
Ménière, deverá requerer sempre o aval do médico que acompanha a pessoa
em causa.
Mesmo tendo esse aval, há que ter um especial cuidado nas seguintes
áreas: braços (devido ao fluxo sanguíneo); axilas (devido ao fluxo
linfático); ombros, pescoço, cabeça, e face (devido ao fluxo sanguíneo e
também ao linfático).
Ainda dentro desta última hipótese, antes de realizar a massagem, há que
ter em conta se nas horas que precederam a massagem, existiu uma
ingestão de comida ou líquidos acima ou abaixo do normal para a pessoa
em causa, se ingeriu cafeína, alimentos com alto teor de sal, e ainda,
outros potenciadores de sintomas de tontura como exposição do organismo
a álcool, nicotina, e glutamato de sódio (alimentos pré-preparados;
soja; outros) que aumenta a actividade mental devido ao influenciamento
de neurotransmissores excitatórios.
Assim sendo, é uma condicionante em termos de massagem, com a qual tanto
massagistas como pessoas que desejem experienciar massagem, têm que
tomar em conta.
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